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CÂNCER DE MAMA: o que você precisa saber

O câncer de mama, no Brasil e no mundo, é o mais comum e o principal causador de morte relacionada a câncer na população feminina. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), 29,5% dos cânceres que afetam mulheres (excluindo câncer de pele não melanoma) são cânceres de mama. Estima-se que em 2018 teremos aproximadamente 59.700 novos casos de câncer de mama no Brasil, sendo que destes, 5.110 serão diagnosticados no Rio Grande do Sul.
Existe uma grande dificuldade em estimar o risco individual de câncer de mama em mulheres, e muitas vezes, não se consegue atribuir a doença a um fator específico. Apesar disso, vários fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolvimento da doença. Eles são divididos em fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários.
Entre eles estão o sexo feminino e a idade avançada (a maioria dos cânceres de mama desenvolvem-se em mulheres acima dos 50 anos). Dos fatores endócrinos ou relacionados a história reprodutiva, estão a menarca precoce (idade da primeira menstruação menor que 12 anos), menopausa tardia (após os 55 anos), primeira gravidez após os 30 anos, nuliparidade (não ter tido filhos) e o uso de contraceptivos orais (estudos com dados controversos) e de terapia de reposição hormonal pós-menopausa (podendo ser realizado quando estritamente indicada), especialmente se por tempo prolongado. Os fatores comportamentais e relacionados ao ambiente são a ingestão de bebida alcoólica, tabagismo, sobrepeso e obesidade após a menopausa e exposição à radiação ionizante (tipo de radiação presente na radioterapia e em exames de imagem como raio X, mamografia e tomografia computadorizada, sempre proporcional à dose e à frequência de exposição). Já os fatores genéticos/hereditários são relacionados à presença de mutações em genes transmitidos na família, sendo os mais conhecidos o BRCA1 e BRCA2. Assim, mulheres que apresentam casos de câncer de mama em familiares consanguíneos, sobretudo em idade jovem, de câncer de ovário ou de câncer de mama em homem, podem apresentar uma predisposição genética ao desenvolvimento da doença e são consideradas um grupo de risco elevado, devendo ser considerada a possibilidade de realizar aconselhamento genético.
O rastreamento é a principal forma das mulheres conseguirem fazer o diagnóstico de câncer de mama de uma forma mais precoce, possibilitando assim, maiores chances de cura com o tratamento. Apesar de existirem várias modalidades de exames de imagem, a mamografia permanece sendo a mais importante,
demonstrando reduzir a mortalidade por câncer de mama quando realizada de forma adequada. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda realizar o exame de mamografia a partir dos 40 anos de idade, anualmente. As mulheres com sintomas, ou história familiar que elevam o risco de desenvolvimento do câncer de mama, devem iniciar a investigação conforme indicação médica. A utilização de exames complementares, como ultrassonografia de mamas ou ressonância nuclear magnética de mamas, poderão ser realizados conforme indicação, para auxiliar a mamografia no diagnóstico precoce da doença.
Os sintomas do câncer de mama podem ser percebidos em estágios iniciais da doença. Pode se manifestar através de nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor, sendo esta a principal manifestação da doença, podendo estar presente em cerca de 90% dos casos de câncer de mama, e ser percebido pela própria mulher. Outras manifestações da doença são a pele da mama retraída, avermelhada ou parecida com uma casca de laranja. Podem ocorrer ainda alterações no mamilo (bico do seio), saída anormal de líquido pelas mamas e aumento dos linfonodos (ínguas) na região axilar ou no pescoço. Sempre que a mulher apresentar algum desses sintomas, deve procurar um médico especializado para fazer uma investigação adequada, a fim de firmar um diagnóstico correto e direcionar um melhor tratamento.
O tratamento do câncer de mama irá depender do estágio em que a doença foi diagnosticada. Existem várias opções de tratamento, sendo elas, a cirurgia do tumor primário e a radioterapia, como forma de tratamento local e o tratamento medicamentoso sistêmico (quimioterapia e hormonioterapia). O tratamento sistêmico pode ser oferecido prévio (também chamado de neoadjuvante) ou adjuvante (após a cirurgia). A utilização dessas modalidades terapêuticas podem ser realizadas de forma combinada ou isolada, podendo ter a intenção curativa ou paliativa, conforme o estágio no qual a doença foi diagnosticada.
A principal mensagem, é que as mulheres levem uma vida saudável. Para tentar minimizar os riscos de desenvolvimento da doença, as mulheres deverão realizar atividades físicas regulares, evitar o fumo e a ingestão de bebidas alcoólicas, alimentar-se de forma saudável evitando a obesidade. Procurar seu médico para consultas de rotina e realizar exames de rastreamento, para que caso haja a doença, seja feito o diagnóstico da forma mais precoce possível, para que as chances reais de cura sejam maiores.

Dr. Felipe Thomé dos Santos
Oncologista Clínico
CRM/RS 29852
Membro do Grupo Consultor de Cuidados Paliativo do Hospital São Vicente de Paulo

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