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A era da prevenção

Realmente estamos num novo tempo em que precisaremos nos conscientizar e mudar alguns paradigmas.  Não só tratar ou medicar as doenças quando elas surgem, mas acima de tudo aprender a promover saúde e a prevenir adoecimentos como o câncer, por exemplo, que se mantêm como evidente problema de saúde pública mundial.  Escutamos popularmente a seguinte fala: “Quem procura acha…”. E muitas pessoas realmente relatam ter medo de procurar um médico e realizar exames. Mas a fala dos novos tempos precisará modificar para: “Quem procura acha, trata e cura”, principalmente se o diagnóstico for precoce, ou seja, se o câncer for identificado cedo, resultando em maiores chances de cura, sobrevida e qualidade de vida. Receber um diagnóstico de câncer com certeza é impactante, mas o diagnóstico não é o vilão, ao contrário ele descoberto o quanto antes, salva vidas. Outra questão importante a ser chamada atenção é que estar com câncer não é uma sentença de morte, apesar do estigma. Mas com certeza a prevenção, quando possível seja o melhor caminho, pois o tempo longo e os tratamentos muitas vezes invasivos e todo o entorno que acomete esta doença se evitado melhor seria.

Quando nos referimos à prevenção, é importante salientar que precisamos classificá-la em primária, secundária e terciária. A prevenção primária consiste em tudo que se pode fazer para evitar o câncer, incluindo aqui estilo de vida e hábitos saudáveis com o intuito de reduzir a influência dos fatores de risco e ambientais. Na prevenção secundária o que se busca é o diagnóstico precoce, sendo de vital importância à ida ao médico regularmente e os exames de rotina e de rastreamento ao câncer conforme a indicação e avaliação médica. E por fim, a prevenção terciária que busca minimizar o impacto da doença estabelecida através de medidas em qualidade de vida.

Vivemos numa era acelerada e a “falta de tempo” é a principal desculpa para não pararmos e realmente cuidarmos da nossa saúde. Mas este é outro paradigma a ser repensado. O autocuidado precisará ser o pilar dos novos tempos para que possamos diminuir estes índices alarmantes de novos casos de câncer. Para este autocuidado alguns aspectos precisarão ser avaliados continuamente. O primeiro é adotar hábitos de vida saudáveis. Algumas pesquisas vêm comprovando que, aproximadamente, um terço das mortes por câncer está relacionado ao consumo de tabaco, álcool em excesso, dietas ricas em gorduras, sedentarismo, entre outros. Outro aspecto importante no autocuidado está em aprendermos a observar nosso corpo, prestar atenção nos sinais e sintomas recorrentes. Aqui devemos lembrar que muitas doenças apresentam sintomas iguais ou parecidos, e que não necessariamente estejamos com um câncer, mas um médico precisará fazer este diagnóstico diferencial.   E finalmente, conhecer seu risco e conversar com os familiares sobre o histórico familiar das doenças que os acompanham durante muitas vezes por gerações e após levar estes dados ao médico é relevante. Participar de um “grupo de risco” por este fator da hereditariedade também não é uma sentença de um futuro câncer, mas significa sim, que precisaremos que os cuidados sejam redobrados.

Por fim, a dica para esta era é viver com responsabilidade no sentido de assumir o controle da sua saúde biopsicossocial e espiritual. Cuidar do corpo, da mente e da alma. Esta última que possa ser alimentada de uma vida cheia de sentido e significado. Diga não ao cigarro, beba com moderação, adote uma alimentação saudável, pratique exercícios físicos regularmente, cuide do sono, controle o estresse, cuide dos seus sentimentos e faça exames de rotina sempre que necessário. O resultado de tudo isso será saúde, qualidade de vida e muito mais tempo para curtir quem amamos.

Fernanda Aver Pupe

 

Psicóloga Coordenadora do Setor de Psicologia da Aapecan

 

CRP 07/06265

Especialista em Psicossomática.

Membro da Comissão de Psico-oncologia da ABMP-RS

Membro da Associação Brasileira de Medicina Psicossomáticafernanda.

 

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